22 de Junho de 2004
14 de Junho de 2004
PhoneArt
Façam Reload da página; aparece sempre uma foto diferente...
in Sent - america's first phonecam art show
www.sentonline.com
13 de Junho de 2004
Logo se vê
Não é preciso mandar fazer um estudo de mercado: basta observar o tempo que as televisões dedicam (e o espaco que a imprensa concede) ao Euro 2004, por comparação com as Eleições Europeias de domingo, para se perceber o que é mais importante para os portugueses. Basta observar as bandeirinhas nacionais penduradas nos táxis de Lisboa para se aferir do significado profundo que a pátria tem para os portugueses. Basta observar o número de bilhetes vendidos para os jogos para se poder fazer o “balancete” das prioridades económicas dos portugueses em “estado de crise”. Basta ver o empenho dos politicos no Euro 2004 para ficar claro aos olhos de todos o (programa de governação) que, sem excepção, cultivam.
Na véspera de começar o campeonato, e a dois dias das eleições que determinam quem são os 24 portugueses a quem cabe defender Portugal num universo alargado de paises da Europa, a mobilizacão nacional não podia ser mais obvia: uma selecgão nacional de futebol (que se junta para o evento, e se desfaz logo a seguir para os melhores irem ganhar dinheiro e marcar golos para longe, bem longe, dos apitos dourados do território...), a organizagão de um evento cujas “receitas turisticas e a exposicão da imagem de Portugal" explicam, por si, o investimento efectuado, e o ambiente social à volta dos jogos, dos "vip's”, e das tricas que obviamente vão nascer. 0 resto, não interessa nada.
Por enquanto, claro. Quando nos tocarem as limitaçoes nas cotas de pesca ou na agricultura, os mesmos espectadores que se dedicaram à ardua tarefa de ver a selecção nacional virão para a rua manifestar-se e indignar-se corn os politicos. Farão greves e cortarão estradas - e nesse dia ninguem Ihes vai recordar que preferiram o futebol a uma eleigão. Quando nos limitarem os fundos e o acesso ao dinheiro que tem mantido Portugal à tona de agua, vamos “lamentar” a Europa e perceber que a galinha dos ovos de ouro tinha morte anunciada - e nesse dia ninguem nos vai apontar o dedo por andarmos distraidos corn o Euro 2004 no momento em que deviamos estar concentrados numa eleição que determina boa parte do nosso futuro mais proximo. Quando, por fim, engolirmos a constituição europeia sem tugir nem mugir, vamos perguntar-nos por que raio não fomos avisados sobre a sua existencia - mas nesse dia, uma vez mais, ninguem vai explicar o obvio. 0 obvio é: estamos a fazer a cama onde nos vamos deitar.
Agora, que num curto espaco de tempo podemos ver com rigor o que interessa ao pais - e pelos vistos, o que interessa é mesmo, e só, o futebol -, temos o retrato profundo desenhado a tinta. Não aprendemos nada com as “expo's” do passado. Não conseguimos ver longe. Não conseguimos separar o trigo do joio. Faz-me lembrar aquilo a que assisti la no “meu” Alentejo litoral quando começou o Festival do Sudoeste: o entusiasmo com os ganhos financeiros do primeiro ano foi tal que os mesmos comerciantes e habitantes que olhavam o evento desconfiadamente, de um dia para o outro a ele se renderam. 0 Festival passou de besta a bestial em dois tempos. Mas, com o correr dos anos, com o apuramento da propria organização, os espectadores passaram a nao ter de consumir nas aldeias ali à volta, os veraneantes de “antigamente'' desapareceram, e o grande negocio esfumou-se. Hoje, o Sudoeste já não é a menina dos olhos daquela gente, que percebeu que eventos fátuos e rápidos não fazem o futuro - e que a palavra desenvolvimento não depende dessas injecções, mas de outros medicamentos. Mais caros, mais sérios, mais profundos - e acima de tudo melhor pensados.
A escala do país, o "Euro 2004” é um fenómeno semelhante. Agora, está o país embriagado pelo evento. Por enquanto a cama é fofa. Está almofadada por dezenas de jogos de futebol, estádios novos para o futuro, uma selecção nacional inspirada, e um ambiente de comércio rápido.
Quando acordarmos do sonho é que vão ser elas. Portugal estará rigorosamente igual, os turistas futeboleiros não voltarão, a não ser que organizemos de seguida o “Mundial", e na memória dos europeus ficara apenas o país que ganhar o Campeonato. Por mais estudos prospectivos que se façarn - e que são excelentes para alimentar as empresas que a eles se dedicam e servem de argumento em todo o tipo de debates - a verdade é que os paises ganham turistas por aquilo que “são” ou por aquilo que "têm". Não por aquilo que organizam. Ou será que a Holanda e a Bélgica estão hoje nos nossos destinos turisticos porque se realizou la o 'Euro 2000"? Ou que nos excita visitar a Austria e a Suiça porque organizam o próximo campeonato? Tapa-se o sol com a peneira e seguimos em frente.
... E enquanto nos deixamos levar pelas “emoções” do «esférico», discretamente, este fim-de-semana, decide-se por toda a Europa o que efectivamente vai acontecer nos próximos anos. Isso não nos interessa nada. Para essa eleição ninguém quer bilhetes, nem que sejam oferecidos. À boa maneira portuguesa, respondemos com calma: "isso logo se vê". De certeza que sim. Quando for tarde de mais para podermos acordar e reagir.
Pedro Rolo Duarte
in DNA
"Desculpem os erros de transcripção"
12 de Junho de 2004
Frases para mais tarde recordar VIII
It's hard when you're up to your armpits in alligators to remember you came here to drain the swamp.
- Ronald Reagan
- Ronald Reagan
Barbeiro Popstar
Morreu hà precisamente 20 anos com o diagnóstico de Broncopneumonia Bilateral Grave.
10 de Junho de 2004
Quotas, anos zeros...are you mad or just plain stupid????...
Do Publico:
"Defendidas quotas para travar entrada de mulheres nos cursos de Medicina
O crescente número de mulheres a entrar nas faculdades de Medicina está a causar apreensão entre alguns sectores da classe médica e das próprias instituições de ensino. Há mesmo quem defenda a criação de quotas para homens, numa tentativa de travar a presença maioritária das universitárias nestes cursos.
António Sousa Pereira, médico e presidente do conselho directivo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto, é taxativo: se o modelo de ingresso nos cursos de Medicina não for alterado, "terão de ser criadas quotas para os homens nestas faculdades".
A ideia, garante, é partilhada por outros colegas. "Toda a gente fala disto à boca pequena; como é um assunto polémico, há um certo receio de discuti-lo", explica.
Segundo números fornecidos pelo Ministério da Ciência e do Ensino Superior, existem mais 1500 mulheres que homens a frequentar, neste ano lectivo, os diversos cursos de Medicina existentes em Portugal.
Esta maioritária presença feminina nas turmas vai originar, nos próximos anos, um aumento do já de si elevado número de mulheres a exercer Medicina. "É indiscutível que é necessário haver um maior equilíbrio de sexos", defende também o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Germano de Sousa.
O bastonário diz mesmo que, se a situação não se alterar, prevê "muitos problemas" para os próximos anos. O facto de haver áreas da Medicina pouco escolhidas pelas mulheres (como a Urologia e a Ortopedia) não quer dizer que elas não sejam maioritárias em quase todos os colégios de especialidades médicas.
A questão da introdução de quotas começou a ser discutida em força, em Setembro do ano passado, numa reunião anual da Associação de Educação Médica Europeia realizada em Berna, na Suíça. Com o número das mulheres médicas a aumentar em toda a Europa, as faculdades de Medicina discutem já oficialmente a preocupação inerente à mudança de "hábitos e normas" em áreas até agora quase exclusivamente masculinas.
Em Portugal, a revista "Nortemédico", pertencente à secção regional do Norte da Ordem dos Médicos, fala também no assunto na sua última edição. Em entrevista, António Sousa Pereira explana a sua posição em relação a esta questão.
"Maternidade afasta as mulheres do serviço"
O bastonário sabe que, "com o actual sistema de acesso aos cursos de Medicina, entram mais mulheres do que homens" nas faculdades. Para isso conta muito, em seu entender, o facto "de as estudantes terem mais juízo e estudarem mais do que os rapazes".
E que modelo de acesso preferia Germano de Sousa? "Defendo que a nota de candidatura aos cursos de Medicina deve ser de 14 valores e que às notas deve juntar-se outro tipo de provas capazes de evitar que um aluno com notas excelentes e uma má formação geral possa ser um mau médico", esclarece.
Em relação à criação de quotas para os estudantes de Medicina, "no abstracto", o bastonário mostra-se "contra, porque as quotas parece sempre que são para defender um ser inferior". Mas admite que, "oficiosamente, o assunto vai surgindo". Até porque, considera, para além de homens e mulheres terem formas diferentes de trabalhar, "a maternidade afasta as mulheres do serviço e tira-lhes alguma da capacidade de doação à profissão".
Mesmo assim, as mulheres são maioritárias em todas as escolas médicas existentes em Portugal: nas universidade da Beira Interior, de Coimbra, da capital (Universidade de Lisboa e Nova de Lisboa), do Minho e do Porto (Faculdade de Medicina e ICBAS).
Uma Medicina "cada vez mais no feminino", sobre a qual Germano de Sousa diz que é preciso "reflectir". "É necessário rever todo o sistema e é fundamental que o Ministério da Ciência e Ensino Superior, bem como o da Saúde, aceitem entrar na discussão", finaliza.
Uma conversa “sem sentido”
A médica Isabel do Carmo começa por sublinhar que “nunca ninguém se lembrou de quotas quando a situação era inversa”. E recorda a experiência vivida durante a guerra colonial, uma altura em que os homens deixaram algum “espaço” para as mulheres se afirmarem na medicina e em que elas se “mostraram capazes em todas as especialidades e foram tendo filhos”.
O que continua a preocupar Isabel do Carmo é que, havendo hoje tantas médicas, apenas cheguem homens a directores de serviço. O número de mulheres à frente dos serviços dos grandes hospitais, a nível nacional, “é mínimo”, lamenta.
Apesar de admitir que “estamos com um problema em mãos”, que poderá eventualmente acarretar dificuldades nos serviços de saúde no futuro, Teresa Magalhães, directora do Instituto de Medicina Legal do Porto e professora da Faculdade de Medicina, acredita que esta questão [do domínio feminino da profissão] apenas se vai colocar a longo prazo e prevê que até lá serão encontradas soluções. “À partida, não sou favorável a nenhum sistema que discrimine as pessoas” e este problema não se coloca apenas nesta profissão, acrescenta.
A medicina em Portugal já tem um cunho feminino, lembra por seu lado Carlos Arroz, do Sindicato Independente dos Médicos, notando que mais de metade do pessoal clínico nos centros de saúde (52 por cento) é composto por mulheres.
De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2001, as mulheres representavam 45 por cento do total de médicos, quando em 1969 eram apenas 15 por cento. O crescimento foi gradual e sustentado ao longo dos últimos anos, tendo começado a evoluir de uma forma mais rápida a partir da década de 90.
A “conversa” das quotas “não faz nenhum sentido”, desvaloriza Carlos Arroz, sublinhando que não vê qualquer risco ou problema nesta invasão da medicina pelo sexo feminino. Quanto à questão do eventual embaraço sentido pelos homens quando consultam uma urologista, Carlos Arroz contrapõe: “E as mulheres que vão a um ginecologista?” O sindicalista também não vê grandes inconvenientes nas licenças por maternidade, até porque existem “programas de reciclagem e readaptação contínua”. “Que se discuta o ‘numerus clausus’ e a forma de entrada nos cursos de Medicina, tudo bem; agora esta questão não me parece lógica nem pertinente”, defende igualmente Merlinde Madureira, do Sindicato dos Médicos do Norte, para quem este fenómeno traduz apenas “um equilíbrio natural”.
Para o problema das licenças por maternidade, a sindicalista sugere algumas alternativas, nomeadamente a de que seja o marido a ficar em casa com a criança temporariamente, possibilidade que há já algum tempo se encontra prevista na legislação nacional."
Do Diário Económico:
"Faculdades de Medicina Privadas
Ministra pondera ‘ano zero’ para novos médicos
A criação de um ano zero para aceder a diversas especialidades das ciências da Saúde é uma das hipóteses que está a ser analisada pelo grupo de trabalho encarregue de definir a nova estrutura do curso de medicina.
O Governo admite a hipótese de criar um ano comum aos cursos de medicina e medicina dentária, com uma formação mais generalista. Os melhores alunos desse ano e que demonstrem mais apetência seriam escolhidos para seguir medicina. Esta é apenas um dos cenários equacionados pelo Governo para mudar o acesso.
A criação desse tronco comum, poderia implicar um acréscimo de custos a manterem-se as actuais disciplinas no primeiro ano do curso, porque aumentaria o número de estudantes. Concretizar este modelo sem aumentar as verbas necessárias só será possível alterando a estrutura curricular do primeiro ano.
A medicina é uma das licenciaturas que fica fora da estrutura de graus proposta na Declaração de Bolonha que aponta para um 1º ciclo de formação com a duração de três anos e um segundo ciclo com a duração de dois anos. Existe uma directiva comunitária para estas formações que impõe que se mantenham os cursos com seis anos.
Graça Carvalho, ministra da Ciência e Ensino Superior, observa com cautela a possibilidade de serem as instituições a definir o modelo de escolha dos seus alunos, uma alteração que é permitida na nova Lei de Bases da Educação.
Na sequência da proposta polémica de criar quotas para homens no acesso às licenciaturas que formam médicos, alguns parceiros alertaram para o risco das instituições de ensino superior ao definirem o seu modelo de acesso poderem acabar por implementar o sistema de quotas sugerido pelo presidente do Conselho Directivos do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Recorde-se que Graça Carvalho solicitou o adiamento da entrada em vigor da nova prova de acesso à Comissão Nacional de Acesso tendo em conta as baixas classificações obtidas pelos candidatos. O novo modelo de acesso não poderá ser implementado antes de 2009, já que terá que ser conhecido três anos antes da entrada em vigor para que os estudantes não vejam as regras alteradas a meio do ensino secundário."
É só impressão minha ou esta gente anda toda a passada?
A conversa das quotas é sintomática...Licenças de maternidade? Meus senhores, a isso chamo eu machismo puro e simples.
Quanto ao ano zero...sem comentários...de todo!
João
"Defendidas quotas para travar entrada de mulheres nos cursos de Medicina
O crescente número de mulheres a entrar nas faculdades de Medicina está a causar apreensão entre alguns sectores da classe médica e das próprias instituições de ensino. Há mesmo quem defenda a criação de quotas para homens, numa tentativa de travar a presença maioritária das universitárias nestes cursos.
António Sousa Pereira, médico e presidente do conselho directivo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto, é taxativo: se o modelo de ingresso nos cursos de Medicina não for alterado, "terão de ser criadas quotas para os homens nestas faculdades".
A ideia, garante, é partilhada por outros colegas. "Toda a gente fala disto à boca pequena; como é um assunto polémico, há um certo receio de discuti-lo", explica.
Segundo números fornecidos pelo Ministério da Ciência e do Ensino Superior, existem mais 1500 mulheres que homens a frequentar, neste ano lectivo, os diversos cursos de Medicina existentes em Portugal.
Esta maioritária presença feminina nas turmas vai originar, nos próximos anos, um aumento do já de si elevado número de mulheres a exercer Medicina. "É indiscutível que é necessário haver um maior equilíbrio de sexos", defende também o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Germano de Sousa.
O bastonário diz mesmo que, se a situação não se alterar, prevê "muitos problemas" para os próximos anos. O facto de haver áreas da Medicina pouco escolhidas pelas mulheres (como a Urologia e a Ortopedia) não quer dizer que elas não sejam maioritárias em quase todos os colégios de especialidades médicas.
A questão da introdução de quotas começou a ser discutida em força, em Setembro do ano passado, numa reunião anual da Associação de Educação Médica Europeia realizada em Berna, na Suíça. Com o número das mulheres médicas a aumentar em toda a Europa, as faculdades de Medicina discutem já oficialmente a preocupação inerente à mudança de "hábitos e normas" em áreas até agora quase exclusivamente masculinas.
Em Portugal, a revista "Nortemédico", pertencente à secção regional do Norte da Ordem dos Médicos, fala também no assunto na sua última edição. Em entrevista, António Sousa Pereira explana a sua posição em relação a esta questão.
"Maternidade afasta as mulheres do serviço"
O bastonário sabe que, "com o actual sistema de acesso aos cursos de Medicina, entram mais mulheres do que homens" nas faculdades. Para isso conta muito, em seu entender, o facto "de as estudantes terem mais juízo e estudarem mais do que os rapazes".
E que modelo de acesso preferia Germano de Sousa? "Defendo que a nota de candidatura aos cursos de Medicina deve ser de 14 valores e que às notas deve juntar-se outro tipo de provas capazes de evitar que um aluno com notas excelentes e uma má formação geral possa ser um mau médico", esclarece.
Em relação à criação de quotas para os estudantes de Medicina, "no abstracto", o bastonário mostra-se "contra, porque as quotas parece sempre que são para defender um ser inferior". Mas admite que, "oficiosamente, o assunto vai surgindo". Até porque, considera, para além de homens e mulheres terem formas diferentes de trabalhar, "a maternidade afasta as mulheres do serviço e tira-lhes alguma da capacidade de doação à profissão".
Mesmo assim, as mulheres são maioritárias em todas as escolas médicas existentes em Portugal: nas universidade da Beira Interior, de Coimbra, da capital (Universidade de Lisboa e Nova de Lisboa), do Minho e do Porto (Faculdade de Medicina e ICBAS).
Uma Medicina "cada vez mais no feminino", sobre a qual Germano de Sousa diz que é preciso "reflectir". "É necessário rever todo o sistema e é fundamental que o Ministério da Ciência e Ensino Superior, bem como o da Saúde, aceitem entrar na discussão", finaliza.
Uma conversa “sem sentido”
A médica Isabel do Carmo começa por sublinhar que “nunca ninguém se lembrou de quotas quando a situação era inversa”. E recorda a experiência vivida durante a guerra colonial, uma altura em que os homens deixaram algum “espaço” para as mulheres se afirmarem na medicina e em que elas se “mostraram capazes em todas as especialidades e foram tendo filhos”.
O que continua a preocupar Isabel do Carmo é que, havendo hoje tantas médicas, apenas cheguem homens a directores de serviço. O número de mulheres à frente dos serviços dos grandes hospitais, a nível nacional, “é mínimo”, lamenta.
Apesar de admitir que “estamos com um problema em mãos”, que poderá eventualmente acarretar dificuldades nos serviços de saúde no futuro, Teresa Magalhães, directora do Instituto de Medicina Legal do Porto e professora da Faculdade de Medicina, acredita que esta questão [do domínio feminino da profissão] apenas se vai colocar a longo prazo e prevê que até lá serão encontradas soluções. “À partida, não sou favorável a nenhum sistema que discrimine as pessoas” e este problema não se coloca apenas nesta profissão, acrescenta.
A medicina em Portugal já tem um cunho feminino, lembra por seu lado Carlos Arroz, do Sindicato Independente dos Médicos, notando que mais de metade do pessoal clínico nos centros de saúde (52 por cento) é composto por mulheres.
De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2001, as mulheres representavam 45 por cento do total de médicos, quando em 1969 eram apenas 15 por cento. O crescimento foi gradual e sustentado ao longo dos últimos anos, tendo começado a evoluir de uma forma mais rápida a partir da década de 90.
A “conversa” das quotas “não faz nenhum sentido”, desvaloriza Carlos Arroz, sublinhando que não vê qualquer risco ou problema nesta invasão da medicina pelo sexo feminino. Quanto à questão do eventual embaraço sentido pelos homens quando consultam uma urologista, Carlos Arroz contrapõe: “E as mulheres que vão a um ginecologista?” O sindicalista também não vê grandes inconvenientes nas licenças por maternidade, até porque existem “programas de reciclagem e readaptação contínua”. “Que se discuta o ‘numerus clausus’ e a forma de entrada nos cursos de Medicina, tudo bem; agora esta questão não me parece lógica nem pertinente”, defende igualmente Merlinde Madureira, do Sindicato dos Médicos do Norte, para quem este fenómeno traduz apenas “um equilíbrio natural”.
Para o problema das licenças por maternidade, a sindicalista sugere algumas alternativas, nomeadamente a de que seja o marido a ficar em casa com a criança temporariamente, possibilidade que há já algum tempo se encontra prevista na legislação nacional."
Do Diário Económico:
"Faculdades de Medicina Privadas
Ministra pondera ‘ano zero’ para novos médicos
A criação de um ano zero para aceder a diversas especialidades das ciências da Saúde é uma das hipóteses que está a ser analisada pelo grupo de trabalho encarregue de definir a nova estrutura do curso de medicina.
O Governo admite a hipótese de criar um ano comum aos cursos de medicina e medicina dentária, com uma formação mais generalista. Os melhores alunos desse ano e que demonstrem mais apetência seriam escolhidos para seguir medicina. Esta é apenas um dos cenários equacionados pelo Governo para mudar o acesso.
A criação desse tronco comum, poderia implicar um acréscimo de custos a manterem-se as actuais disciplinas no primeiro ano do curso, porque aumentaria o número de estudantes. Concretizar este modelo sem aumentar as verbas necessárias só será possível alterando a estrutura curricular do primeiro ano.
A medicina é uma das licenciaturas que fica fora da estrutura de graus proposta na Declaração de Bolonha que aponta para um 1º ciclo de formação com a duração de três anos e um segundo ciclo com a duração de dois anos. Existe uma directiva comunitária para estas formações que impõe que se mantenham os cursos com seis anos.
Graça Carvalho, ministra da Ciência e Ensino Superior, observa com cautela a possibilidade de serem as instituições a definir o modelo de escolha dos seus alunos, uma alteração que é permitida na nova Lei de Bases da Educação.
Na sequência da proposta polémica de criar quotas para homens no acesso às licenciaturas que formam médicos, alguns parceiros alertaram para o risco das instituições de ensino superior ao definirem o seu modelo de acesso poderem acabar por implementar o sistema de quotas sugerido pelo presidente do Conselho Directivos do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Recorde-se que Graça Carvalho solicitou o adiamento da entrada em vigor da nova prova de acesso à Comissão Nacional de Acesso tendo em conta as baixas classificações obtidas pelos candidatos. O novo modelo de acesso não poderá ser implementado antes de 2009, já que terá que ser conhecido três anos antes da entrada em vigor para que os estudantes não vejam as regras alteradas a meio do ensino secundário."
É só impressão minha ou esta gente anda toda a passada?
A conversa das quotas é sintomática...Licenças de maternidade? Meus senhores, a isso chamo eu machismo puro e simples.
Quanto ao ano zero...sem comentários...de todo!
João
9 de Junho de 2004
Reagan Come Back!
Lembram-se dos graffitis espalhados
por Lisboa que diziam "Reagan Go Home"?
Farewell Ronnie!
6 de Junho de 2004
4 de Junho de 2004
1 de Junho de 2004
Quem posta?
Como sabem desde hà pouco bem pouco tempo este blog tem um novo co-administrador.
Vamos ter de conferenciar os dois sobre o facto da Miss Freud poder postar...
We'll get back to you soon!
Your's truly,
Me
Vamos ter de conferenciar os dois sobre o facto da Miss Freud poder postar...
We'll get back to you soon!
Your's truly,
Me
Aoquistochegou...
Em http://en.wikipedia.org/wiki/Desenrascan%e7o
Eu sei que está em Inglês e que é longo...mas leiam....vale a pena...
"Desenrascanço (loosely translatable as "disentanglement") is a Portuguese word used, in common language, to express an ability to solve a problem without having the knowledge or the adequate tools to do so, by use of imaginative resources or by applying knowledge to new situations. Achieved when resulting in a hypothetical good-enough solution. When that good solution doesn't occur we got a failure (enrascanço - entanglement). It is taught, more or less, informally in some Portuguese institutions, such as universities, navy or army. Portuguese people, strongly believe it to be one of the their most valued virtues and a living part of their culture. Desenrascanço, in fact, is the opposite of planning, but managing for the problem not becoming completely out of control and without solution.
However, some critics disagree with the association of the concept of desenrascanço with the mainstream Portuguese culture. They argue that desenrascanço is just a minor feature of some portuguese subcultures confined to some non-representative groups at the end of the 20th century. Critics point out that in the last 30 years the education and culture of the portuguese people improved considerably and that the importance of desenrascanço is declining. Sometimes, the concept is related by some to the discoveries period or to student activities in the 15th century. But sceptics doubt there is any substantial prove of that relation. Critics also argue that there are other sub-cultures in other countries with equivalent concepts and that desenrascanço is not an exclusive of the Portuguese culture.
Universities
Desenrascanço has a role in the academic juvenile sub-culture in some educational institutions. In some universities and politechnical institutes, the older students known as doutores (Eng. doctors) teach Desenrascanço to freshmen (Port. Caloiros) in a ritual, well known as Freshman Reception in Portugal. It is alleged that this skill is taught (informally) in the Portuguese universities since the 14th or 15th century. The freshmen are ordered to do the most impossible things. They must comply or they will be punished. To solve the problems (desenrascar-se) they must be really inventive and/or have a very convincing reason when they cannot do it. Normally, if they cannot or if they are not smart enough, punishment is done. The punishment is supposedly done under the Praxis rules (Port. Código de Praxe) and aleggedly no harm can be done to the student. But they can get dirty, do a lot of exercise, and do embarrassing things in public or end up doing nothing and standing still for an hour. Freshmen perform this ritual because they want to be part of academic groups to have fun in the continuous parties these groups organize and to generally have lots of helping friends. In the rituals, the doutores are dressed in black (in 19th century traditional clothes) and freshmen dressed in white (normally a shirt and blue jeans nowadays).
Normal academic activities are also seen as a way to teach desenrascanço. For example, when the teacher does not disclose any suggestions to solve a problem, and the student must search himself.
Siemens, a well known German company, has development and engineering offices in Portugal due to this Portuguese characteristic, employing hundreds of Portuguese staff. They say "when a german gives up when encountering a difficulty, a Portuguese will work until it is solved." They also argue that is "due to the quality of Portuguese state-run universities and institutes".
Desenrascanço in the Discoveries Era
In the 16th and 17th centuries, it was very common for other exploring nations to bring a Portuguese national along during the voyages, for two reasons, 1) the Portuguese were skilled by previous knowledge and 2) and, alegedly, for handling emergencies well (what is also known among the Portuguese as "desenrascanço"). Of course, serious historians would disagree with the association between a 20th century idea and 17th century events.
Some groups from Portugal believe that they still have this characteristic, that, theoricaly speaking, make them the best people to handle emergencies, and the worst for situations where planning is needed. There's no impartial verification of those claims..."
Estou em estado de choque.....
João
Eu sei que está em Inglês e que é longo...mas leiam....vale a pena...
"Desenrascanço (loosely translatable as "disentanglement") is a Portuguese word used, in common language, to express an ability to solve a problem without having the knowledge or the adequate tools to do so, by use of imaginative resources or by applying knowledge to new situations. Achieved when resulting in a hypothetical good-enough solution. When that good solution doesn't occur we got a failure (enrascanço - entanglement). It is taught, more or less, informally in some Portuguese institutions, such as universities, navy or army. Portuguese people, strongly believe it to be one of the their most valued virtues and a living part of their culture. Desenrascanço, in fact, is the opposite of planning, but managing for the problem not becoming completely out of control and without solution.
However, some critics disagree with the association of the concept of desenrascanço with the mainstream Portuguese culture. They argue that desenrascanço is just a minor feature of some portuguese subcultures confined to some non-representative groups at the end of the 20th century. Critics point out that in the last 30 years the education and culture of the portuguese people improved considerably and that the importance of desenrascanço is declining. Sometimes, the concept is related by some to the discoveries period or to student activities in the 15th century. But sceptics doubt there is any substantial prove of that relation. Critics also argue that there are other sub-cultures in other countries with equivalent concepts and that desenrascanço is not an exclusive of the Portuguese culture.
Universities
Desenrascanço has a role in the academic juvenile sub-culture in some educational institutions. In some universities and politechnical institutes, the older students known as doutores (Eng. doctors) teach Desenrascanço to freshmen (Port. Caloiros) in a ritual, well known as Freshman Reception in Portugal. It is alleged that this skill is taught (informally) in the Portuguese universities since the 14th or 15th century. The freshmen are ordered to do the most impossible things. They must comply or they will be punished. To solve the problems (desenrascar-se) they must be really inventive and/or have a very convincing reason when they cannot do it. Normally, if they cannot or if they are not smart enough, punishment is done. The punishment is supposedly done under the Praxis rules (Port. Código de Praxe) and aleggedly no harm can be done to the student. But they can get dirty, do a lot of exercise, and do embarrassing things in public or end up doing nothing and standing still for an hour. Freshmen perform this ritual because they want to be part of academic groups to have fun in the continuous parties these groups organize and to generally have lots of helping friends. In the rituals, the doutores are dressed in black (in 19th century traditional clothes) and freshmen dressed in white (normally a shirt and blue jeans nowadays).
Normal academic activities are also seen as a way to teach desenrascanço. For example, when the teacher does not disclose any suggestions to solve a problem, and the student must search himself.
Siemens, a well known German company, has development and engineering offices in Portugal due to this Portuguese characteristic, employing hundreds of Portuguese staff. They say "when a german gives up when encountering a difficulty, a Portuguese will work until it is solved." They also argue that is "due to the quality of Portuguese state-run universities and institutes".
Desenrascanço in the Discoveries Era
In the 16th and 17th centuries, it was very common for other exploring nations to bring a Portuguese national along during the voyages, for two reasons, 1) the Portuguese were skilled by previous knowledge and 2) and, alegedly, for handling emergencies well (what is also known among the Portuguese as "desenrascanço"). Of course, serious historians would disagree with the association between a 20th century idea and 17th century events.
Some groups from Portugal believe that they still have this characteristic, that, theoricaly speaking, make them the best people to handle emergencies, and the worst for situations where planning is needed. There's no impartial verification of those claims..."
Estou em estado de choque.....
João
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