Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Desespero...

A noite passada estava deprimido.

Liguei para o SOS Voz Amiga (800 20 26 69).

Fui atendido por um call center no Paquistão.

Disse-lhes que me queria suicidar.

Receberam a notícia com entusiasmo e perguntaram-me se sabia conduzir um camião.

Domingo, Fevereiro 24, 2008

Ele há momentos assim...

Poucas coisas são tão frustrantes para um cirurgião (seja ele interno como eu ou já especialista) como as complicações pós-operatórias.
Se é verdade que só não tem complicações quem não opera doentes, o aparecimento de uma complicação obriga-nos sempre a encarar a hipótese de ter errado na abordagem de determinada situação.
Mas mais frustrante é chegar à conclusão que podemos ter errado ao tentar agradar o doente.
Há uma semana atrás, no serviço de urgência operei uma doente que apresentava uma hérnia umbilical encarcerada.
Fui falar com a doente para lhe explicar o que lhe ia fazer, e ao abordar a técnica de reparação mencionei a hipótese de ter que lhe tirar o umbigo. Quando confrontada com esta hipótese a doente ficou triste a apesar de eu lhe ter explicado que o umbigo é apenas "decorativo" pediu-me que fizesse todos os possiveis para o conservar.
Ao fim de quase duas horas a lutar contra uma hérnia duma doente obesa, cheguei ao momento da decisão relativamente ao umbigo e apesar do risco de complicações decidi fazer uma cirurgia conservadora do umbigo, uma vez que me pareceu, naquele momento, que estavam reunidas as condições para o fazer. Tal facto deixou a doente radiante.
Para abreviar uma história relativamente longa, avanço uma semana. Neste momento a doente apresenta uma infecção do umbigo com necrose da pele e vai voltar ao bloco para fazer uma excisão da porção necrosada, o que muito provavelmente vai implicar a excisão total do umbigo.
E é aqui que começam os meus problemas de consciência.
Até que ponto, na minha tentativa de agradar a doente, não acabei por lhe fazer mais mal que bem?
Se tenho feito, de inicio, a excisão do umbigo, provavelmente a doente estaria já em casa a recuperar, em vez de se estar a preparar para uma nova intervenção cirúrgica com todos os riscos que isso acarreta.
É claro que posteriormente é fácil chegar à conclusão que não tomei a opção correcta.
Mas terei errado?
A minha dúvida é a seguinte: até que ponto é lícito correr riscos para agradar aos doentes?
Estarão os doentes preparados para os riscos a que se estão a expôr quando nos pedem coisas que a prudência recomenda que não façamos?

Não sei, nem consigo em consciência responder a esta pergunta.

Mas sei que quando olho para a doente, não sinto que a culpa seja dela...

Sábado, Fevereiro 23, 2008

E não levares porrada é uma sorte!!!!


Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

Cúmulo do cansaço...

...achar que é possível adormecer na mota em andamento...


PS- Sim...é como eu me sinto hoje...

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Mais uma...

Ora mais uma noite de urgência. Interna.
Não gosto de estar de urgência. As razões são variadas e vão desde o não gostar de estar sozinho com a responsabilidade sobre tudo o que se passa no serviço até ao saber, à partida, que mesmo que a urgência seja calma, é sempre uma noite (muito) mal dormida.
Apesar de tudo tenho que as fazer e como tal feito o período de mentalização, cá estou eu para mais 12 horas.
Mas existem, às vezes, momentos que fazem tudo isto valer a pena.
Hoje depois de entrar, fui ver um exame que tinha pedido a um doente e depois fui falar com o doente.
Entrei no quarto do doente, conversei com ele, expliquei-lhe o resultado do exame, qual a terapêutica que iria instituir e porquê. Já à saida do quarto pergunta-me o doente: "O Dr. hoje fica cá?". Eu sorri e disse-lhe que sim que era eu que ficava de serviço até amanhã de manhã. Ao ouvir este o doente abre um sorriso e diz: "Ainda bem. Fico tão mais descansado por saber que está cá!"
O que é que se diz a isto?
Eu sorri e não disse nada.

Na certeza porém que esta noite me vai custar muito menos a passar...

Até amanhã!

Domingo, Fevereiro 03, 2008

Agora é que o mundo está realmente perdido...

...vou ser pai!!!!

E estou feliz!!!feliz!!!feliz!!!

:)

Tenho andado por aqui...



Há sitios piores por onde vaguear...



Terça-feira, Novembro 20, 2007

Pois....


Quarta-feira, Novembro 07, 2007

O homem sensível...

Um dia, depois de um orgasmo, ele olhou bem fundo nos olhos dela e emocionado perguntou:

- Queres dar o nó?

Ela, com os olhos molhados e sorriso parvo, acenou feliz que sim.


Então ele tirou o preservativo usado e passou-o para a mão dela.

Quinta-feira, Novembro 01, 2007

Depois das férias.

Cheguei há 48 horas de uma semana maravilhosa.


Aqui fica um cheirinho.




Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Se o arrependimento matasse ou como desfibrilhar um blog em 3 simples lições

Há momento na vida em que nos arrependemos das opções que tomamos. De há algum tempo para cá isso tem sucedido comigo relativamente à decisão de abandonar este blog.
E dou por mim a perguntar-me se a decisão que na altura tomei terá sido a mais acertada...
A verdade é que dou por mim com uma vontade imensa de voltar a escrever. Por mim e para mim.
De forma que vou deixar os juizos de valor para alguém que passe por aqui e os decida emitir.
Eu por mim vou voltar a fazer aquilo que tanto gosto: escrever.
Quanto aos amigos de antigamente digo-vos que se ainda me quiserem ler, ficarei radiante. Senão agradeço o tempo que me dedicaram no passado, e garanto-vos que tem em mim um amigo e um admirador profundo.
Aqui vai disto!

Domingo, Outubro 22, 2006

Epílogo

Nunca fui de saudosismos - só em relação a esse vulto da música ligeira portuguesa de cognome Muleta Negra!

... por isso João, Muito Obrigado por tudo, sabes que este blog também é teu e não sei se ele faz muito sentido sem a tua presença.

Foram 3 anos em que estivemos “casados” - a primeira união de facto da história da humanidade entre homens não homossexuais, antes pelo contrário.

Aprendi muita coisa contigo: a principal é que falta um elemento nos Gato fedorento (esses eternos plagiadores do nosso blog!) a segunda é que nutro no meu âmago uma inveja cosanostreana face à tua inegável qualidade literária – não a desperdices só no engate.

Vou sentir falta do muito humor e "regabofe" que passámos, não tanta pornografia como eu gostaria, mas muitos momentos igualmente excitantes e de extremo mau gosto...

Chamámos nomes a muita gente, prestámos homenagem a muitos outros (Vitor Espadinha, José Cid, Clemente, José Malhoa, o gajo do Licor Beirão, etc...); aparecemos no Google (quem não aparece!); fizémos rir e também chorar muitos leitores; falámos de politica (ex: as famosas crónicas da Esther Dyke que ninguém lia – essa grande lésbica!), bem como poesia, música, fotografia e sexo (muito sexo!);

engatámos muitas miúdas à conta deste blog e ajudámos a resolver o caso Casa Pia!; defendemos o Bush e atacámos o Gomo (lembram-se do famoso Caso Gomo?); enfim, fomos pioneiros do nascimento da blogosfera em Portugal e não nos orgulhamos nada disto - pior só mesmo mandar powerpoints por email...

por último ("agora entra a música heróica com voz off"),
queria dizer que acho que mesmo que agora voltasse o fantasma do final dos anos 90, o Y2K, e alguém desligasse a Internet, não haveria qualquer problema! - existiu um breve momento na História em que fomos realmente livres, em que todas as Nações do mundo falaram entre si numa única voz e entenderam-se... pois falaram em Inglês...

Desde a sua criação há cerca de 30 anos, na altura com o propósito de nos defender de um ataque nuclear (nós leia-se as instituições militares americanas) - passando pela partilha de conhecimento científico entre universidades no principio dos anos 90, pelo comércio e partilha de conhecimentos cinéfilos e musicais em formato mpeg; pelo sexo, muito sexo no final do século XX; até ao aparecimento da blogosfera no inicio do século XXI (esse instrumento perverso de democracia na sua versão mais pimba) - que a Internet se tornou num exemplo inegável de Paz entre os Povos... e era isso que eu queria deixar-vos nestas considerações finais:

... uma mensagem de Paz no Mundo

Reduzam o peso do Estado
Não dependam dos Bancos
Combatam os lobbies da Industria Militar

Evitem sempre qualquer tipo de Guerra
(Excepto a guerra comercial com a vizinha Espanha)

e Viva Portugal! :,)

Sábado, Setembro 16, 2006

Um breve momento...

...para dizer adeus.

Acredito que na vida tudo tem um fim.

Este blog começou há 3 anos, (faz 3 anos no dia 21 de Setembro para ser mais exacto) e eu comecei a escrever nele praticamente desde o inicio. (dia 12 de Outubro)
Agora, 3 anos depois, chego à conclusão que o que me levava a partilhar as minhas ideias em texto neste espaço, a vontade que eu tinha de ser lido, já não existe.
Para a posteridade ficam alguns posts que me deram muito prazer a escrever.
E se desta vez tudo não tinha passado duma interrupção temporária, agora é definitivo.
Muito obrigado aos(às) amigos(as) que comentaram este blog. Vocês (e qualquer pessoa que leia os comentários) sabem quem são.

O ultimo paragráfo tinha que ser para ti Vitor. Obrigado por teres tido a ideia de fundar este blog. Obrigado por me teres deixado participar na construção do mesmo. Durante muito tempo escrevemos um para o outro, e mesmo assim nunca desistimos. Para mim faz sentido parar agora que temos quem nos leia. Antes teria sido desistir.
Saio feliz, porque ajudei a construir algo que, para mim, vale e valerá sempre muito.

Obrigado por tudo!

João Grenho

Domingo, Setembro 10, 2006

OK GO

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Mete-nojo

Vou passar o fim de semana a Barcelona.

Bom fim de semana a todos!!!

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Nostalgia à desgarrada parte 2

Sábado, Setembro 02, 2006

Eyes Wide Shut


Vamos todos rever o ultimo grande filme de Stanley Kubrick

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Ele há coisas...

...do diabo.
E a gravidade é uma delas.

Então não é que se me caiu a barra lateral do blog outra vez?
Felizmente não se partiu.
A ver se o Vitor que é um moço alto e espadaúdo a puxa novamente para cima...

Domingo, Agosto 27, 2006

Mais assustador que um filme de terror dos anos 70!


Sábado, Agosto 26, 2006

House

Desafio alguém a gastar tanto dinheiro em menos de 60 minutos como este gajo!

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

As quatro fases liquidas da vida...

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

O Susto

Dia de bloco, eram 9 horas. A doente com 30 e poucos anos, simpática confessava-me que estava um bocadinho assustada.
Tentei tranquilizá-la dizendo que para tirar um pequeno quisto do pescoço, não valia a pena estar tão preocupada, porque era uma intervenção simples, realizada sob anestesia local.
O cirurgião chegou, cumprimentou a doente e fomo-nos desinfectar.
Vestimos as batas, calçámos as luvas, colocámos os panos e começámos a anestesiar o local.
5 minutos depois do iniciada a cirurgia, ouço a doente dizer: "não me estou a sentir bem". Simultaneamente, a enfermeira que estava a monitorizar os padrões vitais da doente exclama: "Doutor, a senhora está bradicárdica*".
Olho para o monitor e vejo a frequência cardíaca da doente. 32...24...0!
Olho para o cirurgião. Ele olha para mim.
Como que impulsionado por uma mola, arranco os panos de cima da doente e inicio massagem cardíaca.
4 ou 5 compressões depois, o coração recomeça a bater. Momentos depois a doente voltou a si, ainda um pouco atordoada.
Já com o apoio da anestesista (que tinha chegado a correr entretanto) e com a doente sob anestesia geral, acabámos rapidamente a intervenção e enviámos a doente para o recobro.
Sai da sala e fui sentar-me na sala do café. Estava a tremer, com o coração a bater-me na cabeça a 1000 à hora e atónito sem saber muito bem o que pensar.
Acho que naquele dia, pela primeira vez, tive verdadeira consciência que o potencial de complicação é muito grande na profissão que escolhi, e que quando algo tem que correr mal, corre mesmo muito mal!
E a linha é tão ténue...


* Bradicardia: Diminuição do número de batimentos cardíacos. Grosseiramente podemos considerar a frequência cardíaca normal entre 60 e 100 batimentos por minuto. Qualquer valor abaixo de 60 é considerado bradicardia, embora na prática valores até 40 batimentos por minutos, num doente com anestesia geral não sejam considerados preocupantes.
Relembro que a doente não estava sob anestesia geral.

Pobreza de espírito

Quinta-feira, 17/08/2006, 21:30h

RTP1 - A herança
SIC - Floribella
TVI - Morangos com açucar


Não digo mais nada

Relativamente a Quarta-feira

Alguém no seu perfeito juizo me consegue explicar porque é que na Quarta-feira passada eu cheguei encharcado a casa?

GOSTAVA DE LEMBRAR QUE ESTAMOS EM AGOSTO!

Há alguém que anda mesmo muito distraído...

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Viver e aprender.

Até há 2 meses atrás achava que Katiusha era nome de prostituta russa.

Constatação

A estupidez da guerra do Líbano só é suplantada pela estupidez dos seus intervenientes.

Sábado, Julho 29, 2006

Pedido

Venho por esta forma pedir a todos os seres maravilhosos que comentam este blog que se passem a dirigir à minha pessoa utilizando o esplêndido TU.

O você, para além de me fazer sentir velho, dá-me cabo do estilo...

Obrigadito

Quinta-feira, Julho 20, 2006

Especialidades e superespecialidades

Uma das coisas que sempre me fez alguma confusão é o conceito de superespecialidade.
Tendo desde muito cedo optado por seguir uma especialidade considerada por muitos como menor, é sempre com algum gozo que vejo alguns colegas de especialidades ditas "diferenciadas" a olhar-me de cima a baixo (o que no meu caso concreto é sempre dificil, e bem capaz de provocar lesões ao nível da coluna cervical dos ditos superespecialistas...) sempre que me aventuro discutir temas das suas áreas de conhecimento.
Adoro estas aves raras que pululam pelos nossos hospitais, observando (sempre muito enfadados...) os doentes que os míseros especialistas lhe pedem para observar (quando os observam...)
Claro que os há simpáticos e disponíveis, e que estes são, felizmente a imensa maioria, mas os superespecialistas são realmente os mais engraçados de todos.
Como se reconhece um superespecialista?
Bem, comecemos pelo principio.
Não é, obviamente, um cirurgião geral, um internista ou um clinico geral. Não! A sua especialidade é sempre algo de muito avançado, na qual apenas entra um restrito grupo de predestinados com capacidades acima da média.
Claro que o superespecialista como predestinado que é, olha todos os outros não-superespecialistas com piedade, comiseração ou desdém.
O superespecialista duvida sempre do que os colegas lhe dizem. Porque na verdade só ele é que sabe. Só ele é que vê. Só ele é que ouve. Na realidade só ele é que compreende o doente.
Fantásticamente (ou não...) para o comum dos leigos, o superespecialista parece completamente inepto e desprovido de capacidades para comunicar com os doentes, mas...a realidade é que, como só o superespecialista sabe, o comum dos leigos nada percebe sobre nada e não devia sequer olhar para o superespecialista, sob pena de ficar cego com o brilho que naturalmente emana desse ser semi-divino.
Nunca há qualquer justificação para chamar um superespecialista de madrugada. Nunca há nada que seja suficientemente urgente, emergente ou premente que seja da sua área de especialidade (o que às vezes me leva a interrogar-me sobre qual a necessidade da permanência no serviço de urgência destes seres...mas eu sou um dos tais leigos e como tal devo reduzir-me à minha mísera insignificância...)
Ah!...e o facto de, tal como eu, ele também ser pago é completamente irrelevante. Porque na realidade nós (das especialidades rascas) é que devíamos pagar para podermos pisar o mesmo chão e respirar o mesmo ar que o superespecialista.
O superespecialista usa sempre gravata. Ele acha que só assim será respeitado. Eu acho que a compressão carotídea e consequente redução do fluxo sanguíneo cerebral explica muita coisa...
Agora digam-me...há paciência para os aturar???


PS- Este post é escrito ainda na ressaca dum banco. Para bom entendedor...

Esclarecimento: Os superespecialistas não são todos os colegas das especialidades ditas mais diferenciadas. São apenas uma minoria de entre essa grande maioria de colegas acessiveis, simpáticos e sempre disponíveis para responder às solicitações de que são alvo.

Quarta-feira, Julho 12, 2006

Pensamento reconfortante

Segunda-feira, Julho 10, 2006

Historieta

Porque também há momentos divertidos no bloco operatório, aconselho a leitura deste texto.

Ah...é verdade...o J. mencionado no texto sou mesmo eu...